Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

Edição 84



Fazendo Crónica
Uma Noite no Morro

Fazendo Cinema
Festival Cine’ECO

Fazendo Arte
Azores Fringe

Fazendo Teatro
Almada Negreiros

Fazendo Teatro
Teatro de Giz

Fazendo Música
Paulo Cunha

Fazendo Música
Tesouro

Fazendo Música
Susana Coelho

Fazendo Música
Claus Nymark

Fazendo Música
Charamba

Fazendo Literatura
Montra de Ler

Fazendo Crónica
Aos Fazedores

Fazendo Literatura
Da Rua e do Mar

Fazendo Viagem
Cartas do Exílio VIII

Fazendo Social
Cuidando da Saúde

Fazendo Saúde
Ser Dador de Medula

Fazendo Crónica
Identidade Açoriana

Fazendo Entrevista
Com o Morcego
Victor Rui Dores

Gatafunhos






Domingo, 17 de Março de 2013

Fazendo nº83






Fazendo Crónica
Ilhas Habitadas

Fazendo Prosa
Ernesto

Fazendo Música
Heitor Lobo

Fazendo Música
Sapateia

Fazendo Música
Esculpir Sons

Fazendo Música
Entrevista +Jazz

Fazendo Música
Puto Ems 

Fazendo Cultura
A Primavera da
Casa do Sal

Fazendo Prosa
Abominável Homem das Cataratas

Fazendo Cinema
Baleias e Baleeiros 

Fazendo Viagens
Cartas do Exílio VII

Fazendo Comparação
Duplas

Fazendo Literatura
Montra de Ler

Fazendo Ciência
Odisseia de uma Tartaruga Marinha

Fazendo Saúde
Cuidar na sua Essência

Fazendo Entrevista
Com o Morcego






Sábado, 16 de Fevereiro de 2013

Fazendo nº82




82
Volta à Ilha em Namoradeiras
Gin
In Folio
Helena Krug
Os Filmes que
por cá se fazem
Pézinhos dos Bezerros
Pour la suite
du monde 
Re(Descobrir) Açores
Garrafas de Cerveja
Arquipélago 
Jogo do Petróleo
Duplas
Fazendo Poesia
Calendário
Sebenta de exercícios
Com o Morcego
Gatafunhos 
Agenda 





Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013

Fazendo nº81


81
Crónicas e Crónicos
Afinal o Mundo Não Acabou
As Vacas
Discos do Além
Discos do Aquém
Filmes Que Por Cá Se Fazem
Duplas 
A Ecléctica Cidade da Horta
Célia Carmen Cordeiro
Montra de Ler 
Antologia Açoriana
Com o Infinito nas Mãos
Wannabe’s
Açorianos Primordiais
Proteas em Modo de Produção Biológico
Engoli uma Enciclopédia
10 Dicas para o Inverno
Entrevista com o Morcego
Gatafunhos 
Agenda 

Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2012

Fazendo nº80




80
Resultado do Concurso de Capas
Açores segundo uma menina que já não existe
A Brasa Voltou
Uma ilha comprida e uma menina atleta
À conversa com Agnes Juten
O Bravo
Agostinho da Cruz
Troca de Galhardetes, O Experimentar na m’incomoda
Linhas Divergentes
Duplas
O fim do mundo
Cartas do Exílio VI
Montra de ler
Nemésio: A Pulsão Autobiográfica
Sobre ciclovias e outras histórias
Árvores Sebenta de Exercícios
Entrevista com o Morcego
Gatafunhos
Agenda





Domingo, 11 de Novembro de 2012

Fazendo nº79




O Conde de Abranhos de Visita às Ilhas
Horta - Cidade Educadora
Entrevista a António José Saraiva
Observatório do Mar dos Açores
Troca de Galhardetes (é na terra não é na lua)
A Barquinha Feiticeira
Henrique de Faria
Duplas (alameda barão de roches)
Tão natural como a sede de aprender
What Makes Açores Look Like Açores
Caleidoscópio
Pensando Saúde
Cartas do Exílio V
260 anos
Entrevista com o Morcego (miguel machete)
Gatafunhos (ralis dos açores)


Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

Fazendo nº78




Editorial do Quinto Fazendo
O Banco dá!
Entrevistando a Baleação
M, ou a busca de sentido
Myosotis Azorica
Bruta tormenta
Canhões de Paz
A Bela Aurora

Manuel de Tavares
From the desk ok
Agnes Juten
Singular/Plural
Duplas
O dever cumprido e... a Kima Maracujá!!!
What makes Açores look like Açores?
Corvo
O que a terra nos oferece
Fazendo Saúde
Cartas do Exilio IV
A(s) ilha(s) que vamos deixando de ser
Entrevista com o Morcego
Gatafunhos



Sábado, 13 de Outubro de 2012

Rentrée Fazendo 2012/2013


O Fazendo regressa no dia 19 de Outubro.
Biblioteca Pública da Horta
sala polivalente
às 22h

concertos dj's performances exposições dança vídeo literatura

e o lançamento do jornal.

Quinta-feira, 2 de Agosto de 2012

Edição nº77


fim da série 4.0 + pré-história faialense petrificada + filmes sobre baleias mortas e vulcões adormecidos + robinson crusoé com bom tempo no canal + o mistério da senhora das tranças + POPA + a primeira editora do pico + porto pimtado + genes modificados por interesse + peixes voadores + pézinho + fotógrafos apaixonados + diferenças queirosianas + karnart + BANHOS + TRILHOS + MARÉS + FESTAS

Colaboradores

COLABORADORES
Carlos Alberto Machado, Catarina Fernandes, Cristina Lourido, Francisco Henriques, José Nuno G P, Luís C. F. Henriques, Luís Silva, Miguel Machete, Pedro Medeiros, Ruth Bartenschlager, Terry Costa, Victor Rui Dores


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Segunda-feira, 2 de Julho de 2012

Edição nº 76


Sumário

a agricultura biológica nos Açores, a Flor de Laranjeira , as mulheres na pesca,   Martinho Costa e a sua exposição no Faial,  Antero de Quental versus Duque de Ávila e Bolama, o músico seiscentista João Lourenço Rebelo,  Cartas do Exílio 2, Compilação de Marchas da Semana do Mar, ateliers de literatura e de costura, peças de teatro para/com jovens

Colaboradores
Carla Dâmaso, Cristina Lourido, Eduardo Carqueijeiro, Júlio Correia da Silva, Luís C. F. Henriques, Manuel M.C. Aguiar, Maria Leite, Pedro Medeiros, Ruth Bartenschlager, Suzana Morais, Victor Rui Dores


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Domingo, 3 de Junho de 2012

Edição nº75


Sumário
edição conjunta com o jornal arauto.
tema: o sentido da vida.
a vida inteligente, humana, sentida, em filme, desobediente, musical, encantada, coreografada, revolucionária, literária, orgulhosa, balanceada, esquecida, agendada, gatafunhada. a vida do faial e do pico aqui publicada.

Colaboradores
Bruno Cabral, Carolina Silva, Cristina Lourido, Fernando Tempera, Gonçalo Tocha, Joaquim Sapinho, Luís Bicudo, Luís C. F. Henriques, Maria do Céu Brito, Margarida Ramos, Mónica Santana Baptista, Paulo Ruas, Pedro Fernandes Duarte, Pedro Lucas, Pedro Rosa, Simone Silveira Rodrigues, Terry Costa, Victor Rui Dores


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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

Edição nº74


Sumário
mensal e com o dobro das páginas - tudo o que por cá se faz, e ainda se vai fazendo muita coisa: álbuns, exposições, peças de teatro, filmes, workshops, associações pelos direitos humanos, concertos, viagens, ideias, danças, descobertas arqueológicas, pesquisas para curar malária, monitorização de tartarugas e outros animais, hortas e trocas, voos picados e movimentos pela utilização das bicicletas. crise? só se for na tua terra.

Colaboradores:
Cristina Lourido, Helder Bettencourt, Janaína Bon de Sousa, José Bettencourt, Luís C. F. Henriques, Maria do Céu Brito, Miguel Valente, Olímpia Granada, Pedro Rosa, Ruth Bartenschlager, Sílvia Lino, Terry Costa, Ulrike Alemoa, Victor Rui Dores
Capa: Joana Rosa Bragança

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Quarta-feira, 4 de Abril de 2012

Edição nº73



Crónica
  
Encontros Filosóficos


O reconhecimento atual da profunda degradação do ambiente, à escala planetária, tornou premente não só a investigação científica e o conhecimento em matéria de sustentabilidade de recursos mas originou reflexões científicas, políticas, éticas e filosóficas, com a finalidade de promover o desenvolvimento de uma consciência ecológica, a nível global. A posse de um conhecimento aprofundado dos problemas ambientais que enfrentamos - o aquecimento global; as alterações climáticas; as alterações brutais dos ecossistemas; a destruição dos recursos dos oceanos - afigurou- -se como um fator determinante para a tomada de consciência individual, para a responsabilização coletiva e o surgimento de uma vontade generalizada de intervir no sentido de contrariar as causas dos desequilíbrios ambientais. Nesta linha, tornou-se evidente a necessidade de associar o conhecimento e a vontade em saber o quê, como e onde dar respostas e influenciar a ação dos decisores políticos e dos cidadãos Há quase duas décadas que a Escola Secundária, através do projeto Encontros Filosóficos, convida alunos, cidadãos, cientistas, filósofos, artistas, a refletirem em conjunto sobre problemas que afetam o homem, o seu tempo, e se colocam à existência de um ser situado num contexto insular, com preocupações em participar no plano intelectual, no debate de ideias e na promoção deste novo olhar. Em 2012, a ESMA estabeleceu parcerias com O IMAR, o DOP, o OMA, a DRAM, DRA, CMH, CCIH, a Escola Secundária Cardeal Costa Nunes, o Jornal “Fazendo”, entre outros parceiros, para refletir sobre a sustentabilidade dos oceanos, a preservação da vida e dos ecossistemas e sobre o futuro do planeta e do próprio homem. Enquanto atores e agentes de educação, temos consciência que só pela educação é possível edificar os pilares desta nova visão sobre o ambiente e a gestão sustentável dos recursos e contribuir para a mudança de hábitos, crenças ou de representações culturais. A nossa realidade insular – esta ínfima parte de terra no contexto planetário e cósmico - justifica, ela própria, o desenvolvimento de trabalho teórico e prático ( realizado através de workshops de Cinema, Fotografia, Educação Ambiental ) que enfatiza a relação do homem com os oceanos, o planeta Terra, os ecossitemas e a humanidade. Convictos que este desafio ao questionamento, ao debate e à partilha de saberes entre homens de ciência, artistas, empresários, profissionais de educação, alunos e cidadãos, será suficientemente pertinente para envolver ativamente a comunidade faialense, convidamos pais, encarregados de educação, investigadores, docentes e alunos a participarem.


Maria do Céu Brito

Colaboradores:
Capa:Fátima Madruga
Aline Zunino, José Nuno GP, Lídia Silva, Luís Henriques, Maria do Céu Brito, Miguel Valente, Pierluigi Bragaglia, Ulrike Alemoa

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Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Edição nº 72

Crónica
  
A Criação de Lugares de Pertença Emocional


Como é que nos tornamos parte de uma identidade, de um lugar, de um sítio, de um território? Os mais afoitos e audazes dirão que a nascença dá-nos essa condição de pertença, mas o que também é verdade é que muitas vezes podemos pertencer a um espaço sem lá ter avoengos ou filiação remota. Como resolver semelhante dicotomia identitária? Na primeira viagem que fiz ao arquipélago, vinte anos depois, estive alegremente acompanhado por europeus todos muito novos, alguns adultos, conhecendo por entre as ilhas açorianos de origens diversas que nos falavam do estado do tempo e que eram, à altura, curiosos e excelsos anfitriões, amadores sinceros destas terras de maravilha. Que lidimas saudades. Recordo que aqui no Pico, não havia adega ou produtora dos melhores néctares que não tivesse incluída uma visita. Todos nós ficámos com lábio largo e sinceridade imediata após tamanho périplo etílico – in vino veritas. Convirá, por isso, recordar quase duas décadas depois a inusitada reacção de uma italiana que, após avistar a largura do horizonte do atlântico no cimo de um miradouro, desatou em compulsivo choro perante o olhar estupefacto de todos nós que a acompanhávamos. Face à surpresa e espanto da nossa reacção somente foi capaz de expressar que há muito não se sentia esmagada por tanto verde e azul em seu redor. Nós, incrédulos, respeitámos tamanha comoção. Em Setembro fará também quarenta anos que dois artistas plásticos – Tereza ArriagaeJorgeOliveira,nascidos no mesmo dia e com sete anos de diferença, percorreram a Ilha do Pico como se descobrissem em cada porção da ilha o puzzle da história pessoal e do romantismo em que estavam envolvidos. A realidade é que hoje continuam unidos nesse romantismo admirável que é deles e porque é só deles merece aqui ser evocado. A distinta escola primária de São Roque do Pico pôde presenciar a passagem deles por esta ilha através dos slides projectados numa parede branca com as marcas do tempo. Às vezes somos cúmplices de acontecimentos raros e únicos sem nos darmos conta, o que significa naturalmente défice de atenção e memória. Por que será que andamos tão distraídos? A nossa existência é, sem qualquer dúvida, um constante enigma por desvendar, procurando nestes lugares de pertença emocional momentos de epifania e revelação. Logo, estamos dependentes das acções e decisões que tomamos , muitas delas na demanda dos princípios que norteiam o nosso ser sem ter medo de assumir perantetudoeosoutrosquenos rodeiam que amamos o quadrado que habitamos. É que assim ficamos obrigados a cuidar dele, a desejá-lo a qualquer momento, numa procura constante desse pico existencial que nos devolva a felicidade, nem que seja por breves instantes. Devemos, por isso, caso assim desejemos, criar espaços de pertença emocional que sejam proporcionadores de momentos de liberdade, beleza, sinceridade, orientados para a multiplicação de energia e movimento, aptos a ser vividos e percorridos numa existência que se pretenda única e verdadeira!


Fernando Nunes

Colaboradores:
Capa: Julia Gentner
Cristina Lourido, Gomes da Silva, Helder José Neves Bettencourt, Joana Pontes, Maria Álvares, Nicolau Marques, Paulino Costa, Paulo Sampaio, Victor Rui Dores

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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

Edição nº71




Crónica
  
AFAMA - Promove apadrinhamento de animais e voluntariado Por cá também se vai fazendo voluntariado. A Afama – Associação Faialense dos Amigos dos Animais – é uma associação sem fins lucrativos, de fracos recursos financeiros e de utilidade pública que tem por objectivo a “defesa e protecção dos animais com vista a melhorar por todas as formas ao seu alcance, as condições de vida destes.” Ao nível da Ilha do Faial, constata- -se o problema social da violência sobre animais e não se perspectiva uma intervenção exacta e eficaz que controle esse problema. A AFAMA vem constatando com grande preocupação, um crescente número de animais, nomeadamente cães e gatos, abandonados e/ ou vadios na ilha do Faial. Os animais nestas condições, causam situações sociais desagradáveis e susceptíveis de configurar um grave perigo para a ordem e saúde públicas. Neste momento a Afama tem ao seu cuidado mais de 90 animais, divididos por dois canis, um em São Lourenço e umemSantaBarbara,estesanimais, para além de ajuda financeira, precisam também de atenção e cuidados, este ano de 2012 começou com um sistema de voluntariado organizado por escalas e que se destina a todos os que têm um ou dois dias disponíveis por mês para ajudar o canil nas tarefas diárias e semanais. Sendo o sábado, um dia aberto para quem quiser conhecer os animais e ajudar. Para quem gostaria de ajudar, mas não pode receber cães na sua casa, nem tem disponibilidade para ser voluntário, ser padrinho é a solução. Sendo padrinho, receberá todos os meses fotos do seu afilhado de 4 patas, assim como novidades acerca dele. Pode visitá-lo, ir buscá-lo para passeios e levá-lo às actividades da Afama, como as “cãominhadas” e o concurso de beleza e habilidade do dia do Animal. Assim através de uma contribuição financeira de 10€ por mês, que pode ser partilhada com os seus familiares, amigos ou colegas de trabalho pode apoiar o sustento e assegurar as vacinas do animal apadrinhado. Pode conhecer estes animais através do nosso facebook (Associação afama afama), ou visitando os canis ou os eventos da Afama. Pode ainda ajudar, inscrevendo-se como sócio, doando cobertores, comedouros, ração ou arroz, e apoiando a construção da enfermaria/ sede da AFAMA através de donativos de material de construção. Para qualquer esclarecimento: www.afama-faial.org www.facebook.com/afamafaial “Pelos Amigos que não nos abandonam” e-mail: associacaoafama@gmail.com Contactos: 962824396


Afama

Colaboradores:
Capa: Renata Lima
Literatura: Marcelo Passamai
Artes Plásticas: Dieter Ludwig, Miguel Valente
Intervenção: Ulrike Alemoa, 
Música: Alexandra Boga, Victor Rui Dores
Ciência e Ambiente: Daniel Pereira, Nuno Rodrigues - PNF

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Sábado, 24 de Dezembro de 2011

Edição nº70




Crónica
Considerações Equilibristas


“Todo o poder provém de uma disciplina e corrompe-se a partir do momento que se descuram os constrangimentos." Roger Caillois



Sempre admirei aquelas pessoas com a capacidade de se envolverem de corpo, alma e cronologia numa determinada e delimitada actividade ou filão.
As perspectivas, abordagens, teorias, teses e técnicas de válido interesse para muitos e diferentes fazeres e pensares (por vezes completamente antagónicos) são tantas, que escolher uma mais me parece acto de fé que de lógica.
Assim, e como homem de muito superficiais conhecimentos sobre a teoria quântica, comecei a achar que é mais fácil singrar numa carreira ou filosofia do que escolhê-la.
No que a política diz respeito, e para efeitos de análise superficial, vou polarizar o conjunto de escolhas possíveis em duas grandes tendências, cujas caracterizações devem ser tomadas como extremos no limiar da caricatura. São elas: 1) a dos que acreditam piamente que não passamos de animais evoluídos (ou super-animais) e que, mais ou menos mascarado, todo o acto é levado a cabo por instinto e 2) a dos que acreditam que somos seres de lógica e que, apesar de ancorados na nossa natureza animal podemos ultrapassar essas barreiras através da razão.
A título de pura representação, e porque em matéria de análise se deve dar nome às coisas, vou chamar-lhes capitalistas e comunistas.
Aos capitalistas vou-os ligar mais ao lado egoísta da natureza do
homem e apreciar-lhes a franqueza desarmante com que o admitem. Aos comunistas enalteço-lhes muito a intenção altruísta, apesar de amiúde dada a contradições e incoerências. Curiosamenteosprimeiros,defensores de um sistema mais pragmático e darwinista de organização social e económica, são normalmente homens de fé dados a acreditar nos desígnios de Deus, enquanto os segundos, defensores de um sistema idealista, são homens de lógica que preferem medir o destino em escala antropométrica.
O conservadorismo e o progressismo estão presentes em ambos os grupos, se bem que aplicados de forma diferente. Os capitalistas promovem
um progressismo técnológico e ao serviço da economia liberal, ao dispor de qualquer pessoa, ao passo que os comunistas apoiam o progresso ideológico e ao serviço da filosofia, ao dispordequalquercolectivodepessoas. Uns defendem um conservadorismo assentenastradiçõesculturaiseligado a valores de Deus, Pátria e Família (em ordem crescente de valor dos valores) e os outros o são mais prudentes no que diz respeito a novas conquistas da técnica, assentando os seus valores em Marx, Estado e Camaradas (ordem decrescente de valor dos valores).
O capitalista defende a competição como motor do progresso e caminho paraarealizaçãodopotencialhumano. Aqui são a necessidade e o impulso individual a alicerçar o desenvolvimento civilizacional. O comunista defende que todas as condições básicas de vida devem estar asseguradas a priori e que a homogeneidade social deve estar na base do sucesso de uma civilização. Os primeiros preferem esquecer que a organização colectiva e a cooperação são (e foram na nossa espécie) factores evolutivos essenciais, e os segundos optam por uma obliteração cega do instinto individual, na base de muitas das conquistas que pauteiam a nossa civilização.
Ambos os sistemas se fundam numa fé benevolente (e preguiçosa) em instituições dos homens - uns no mercado e os outros no estado - e como é sabido o homem tem imperfeições. Os comunistas não comem criancinhas, apesar de as quererem cozinhar, os capitalistas não são selvagens, apesar de não se importarem de comer criancinhas. Para que qualquer ideologia funcione na prática a cidadania não pode ser só um cartaz avenida abaixo quando as coisas correm mal - tem de estar lá sempre, atenta. Abdicar preguiçosamente do nosso dever enquanto cidadãos na esperança que outro o faça desinteressadamente é estúpido, e a estupidez, e a preguiça, pagam-se. Conhecimento não é um fim, é uma arma, e questionar é um acto de disparo, e até o papão tem medo do barulho das pistolas.



Pedro Lucas

Colaboradores:
Capa: Isabel Melo
Literatura: António de Vargem Perdigão
Teatro: Nelson Cabral
Fotografia: Cristina Lourido, Lara Topa
Intervenção: Cristina Lourido, Pedro Namorado, Grupo de EcoArteIn(ter)venção da Horta, Lia Goulart
Música: Victor Rui Dores, Guilhermina Machado
Ciência e Ambiente: Nuno Rodrigues - PNF

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Sábado, 26 de Novembro de 2011

Edição nº69



Crónica
Ilhas à Venda

Chamo-me Mário Jaleco. Em tempos já fui professor de Filosofia. Depois veio o desemprego e fui fazendo outras coisas, muitas coisas; algumas para me safar, outras por convicção. Presentemente, trabalho num Jardim e nas ruas limítrofes onde faço limpezas. A enxada, as vassouras, as luvas e os sacos de lixo, são as minhas ferramentas de trabalho. Aproveitei esta oportunidade em troca da suspensão do Rendimento Social de Inserção. Agradou-me o facto de trabalhar na rua e não em frente a uma máquina, num espaço fechado. Embora o trabalho, por vezes, seja um pouco duro e pesado, apetecia-me estar próximo de seres vivos, no seu habitat natural. E perto do Sol. E da chuva. E dos ritmos livres da Natureza, na sua expressão bruta. Tenho isso, para mim, como um privilégio. Estive, pois, desempregado vários anos... mas a trabalhar. Porque era um desempregado e um Voluntário. E também um desempregado voluntário. Assim mesmo, sem reticências nem vírgulas! Isto porque tinha escolhido ter mais tempo para... ter Tempo, precisamente. Aborrecia- -me ser dependente de trabalhos que não me realizavam só porque precisava de um salário que ainda por cima, se comparado com outros, era injusto e discriminatório. Aliás, é por essas e por outras que às vezes o dinheiro me chateia. Porque preciso dele – azar! – mas principalmente porque ele se sobrepõe cada vez mais às Pessoas, ao valor Humano e àquilo de que realmente precisamos, ou seja, de Nós mesmos e de nos recuperarmos. O dinheiro já não é algo que possuímos e a que atribuímos um valor; ao invés, agora é ele que nos possui e nos atribui um valor. Somos um Produto Interno dele e, pior ainda, um produto Bruto, que nos roubou de nós mesmos e nos trocou por outros valores, mais especulativos e irreais, mais absurdos e desumanos. E começámos a morrer. Porque somos humanos, lá está. Isto já começou a afectar-nos a Todos. Porque somos células de um mesmo e Imenso Organismo Vivo, o Planeta-Terra, que assim se desagrega e desmembra por ir contra a sua Natureza, vítima de uma infecção oportunista grave: o Ego-ísmo e a sede do lucro. Esse é o vírus que ataca a nossa verdadeira Essência – a realização e o exercício da Paz Interior, uns-com-os-outros, na Natureza que simultaneamente somos. Por isso o meu sonho é viver (mais) sem o dinheiro. Mais com menos, porque Menos é Mais. Como fazê-lo? Comprando menos (com) dinheiro e trocando mais serviços, potencialidades e capacidades. Afinal, todos Nós temos alguma coisa que o Outro precisa, não é verdade? E não se pense que isto é uma mera utopia ou uma ilusão tola e ingénua. Já se faz e há quem o pratique em pequenas comunidades, de serviços ou mesmo geográficas (Banco do Tempo, Feiras de Trocas, Eco-Aldeias, etc). Importa agora que essas experiências deixem de ser “ilhas”, convidando o resto do Mundo a pensar-Se assim, como Um Todo capaz de valorizar e realizar os Indivíduos na sua especificidade íntima, mas também enquanto seres iguais e interdependentes. É preciso passar da Globalização estandardizada, para algo mais Glocal e capaz de integrar as enormes minorias de que Todos somos feitos. A Unidade da e Diversidade. Seria mais saudável. Seria mais sensato. É um caminho a fazer-se. Aliás, foi por isso e para isso, porque quis acreditar poder concorrer para uma tal realidade, mais próxima, mais “pequena”, feita de e por indivíduos mais “chegados” e solidários, que cometi na altura a “loucura” de me excluir do mercado de trabalho. Queria viver e aprender a viver com menos dinheiro. Mais devagar. Mais Pequeno. Mais perto. Fui então espreitar. Aprender um outro Olhar. E (vi)ver como se fazia do lado “deles”, os “mais excluídos”, os mais “pequenos”. Comecei cá, em Portugal, e entretanto “dei o salto” para os ditos países sub- desenvolvidos. Vivi por lá uns tempos. Emprestaram-me casa e comida e eu paguei com o meu trabalho. A tal troca. Tá-se bem! Desta forma, voluntário a tempo inteiro, resolvi a questão do salário injusto, já que assim, embora não fosse bem pago, a verdade é que também não era mal pago – não era pago, simplesmente. Assunto resolvido, pois. Curiosamente, esta até me pareceu “a paga” mais justa e digna que alguma vez recebi. E a verdade é que, pouco a pouco, fui descobrindo não ser assim tão difícil viver com bastante menos do que estava habituado. Apenas é preciso fazer uns reajustamentos: despojarmo-nos de algumas coisas, redefinir prioridades, encontrar alternativas, mudar o cenário. Uma vez conheci uma pessoa que me disse o seguinte: “Escolhi viver com pouco dinheiro”. Afinal de contas, pode até ser uma opção de Vida (para os que têm a opção, sublinhe-se!) Nesses países vi(vi) coisas bonitas. Outras mais feias. Mas por isso mais completas. Aliás, essa coisa de nos fascinarmos por um País, um Povo ou uma Cultura (ou mesmo uma Pessoa), e ficarmos por aí, não é bem o que procuro e não me chega (às vezes não basta viajar, é preciso Ficar). Acho que só quando nos desiludimos e conseguimos ver para além disso, ver as contrariedades e os “defeitos” (note-se que a palavra partida em dois e lida ao contrário, fica “feitos de”), só nessa altura começamos a conheSer verdadeiramente. Depois só é preciso seguir em frente e escolher o lado que queremos valorizar e/ ou o que gostaríamos de mudar. Não foi fácil, é certo. E ainda não é. Quando nos expomos assim, a algo novo e diferente do que fomos sendo educados a pensar, falham-nos o chão e as referências a que sempre estivemos habituados. Mas, apesar de sentirmos o medo e o fascínio perante o Outro, “o estrangeiro”; apesar de sentirmos ainda o nosso próprio medo, de não compreendermos ou sermos compreendidos, percebemos que essa era, também, a possibilidade de aprendermos algo mais sobre Ele, sobre Nós Mesmos e sobre a Nossa Diferença. Na verdade, essa possibilidade era uma dádiva, uma oportunidade para partilharmos os nossos mundos e assim, dessa forma bonita, crescermos juntos (n)o Mundo. Por isso escolhemos ficar e confessar ao Outro que também Nós tínhamos medo. Aí foi quando por fim percebemos, que as nossas diferenças eram afinal iguais. E com isso aprendemos também o Respeito. Porque aprendemos, com gestos simples e verdadeiros, com “os sorrisos absolutos das crianças”, que não há nada tão valioso como sermos nós próprios no estado mais puro, que o que damos é o que somos. E que somos todos outros-uns- dos--outros. Mais uma vez, insisto: isso é o que faz de Nós-Um-Todo, uno e múltiplo, simultaneamente. Era pois importante percebermos, de uma vez por todas, que é na riqueza da nossa diversidade que reside a nossa Força. E que é precisamente nisso que somos todos iguais: ninguém escapa a ser diferente – está no nosso ADN. Considero-me, pois, um privilegiado por ter vivido (n)estas realidades tão diferentes. Poder escolher isso foi “um luxo”. Mas foi a minha escolha. E uma boa Escol(h)a. Porque aprendi e enriqueci imenso. E porque essa é a Riqueza que verdadeiramente interessa. Esse é o Valor Acrescentado. O meu Produto Interno Bruto. Hoje, é também disso que sou feito. Do que me ficou por dentro, no meu avesso. Esse património de afectos, paisagens- -retina, retidas no que a minha Memória fotografou. As Pessoas-Povo, as suas vidas e os rostos dessas vidas a Olhar para a Vida. Os seus simples e profundos Olhares. E, no fim, o meu olhar a olhar para Elas. Agora, neste papel, estou aqui a ver-me a olhar. Para mim? Para o Outro? Para Nós...porque somos o (auto-)Retrato do Outro.

Mário Jaleco


Colaboradores:
Capa: "Código Morse" de Laura Marques
Literatura: António Bulcão, Ulrike Alemoa
Cinema: Maria Leite
Intervenção: Cristina Lourido
Música: Victor Rui Dores, Luís Henriques
Ciência e Ambiente: Hugo Parra, Nuno Rodrigues - PNF



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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

Edição nº68



Crónica
Ilhas à Venda

Em Março do ano passado, apareceu a notícia “Ilhas gregas são vendidas para fazer frente à crise que o país enfrenta”. Não se tratava das ilhas turísticas que todos bem conhecemos, aquelas que fazem parte do circuito habitual dos iatistas nos Mares Egeu e Jónico; nem tão pouco de ilhas habitadas. Tendo em conta que a Grécia possui mais de seis mil ilhas, e que apenas pouco mais de duzentas têm habitantes, o país bem podia vender algumas das desabitadas a excêntricos milionários. Afinal, quem, tendo dinheiro para tal, não gosta da realidade fílmica de possuir uma ilha no Mediterrâneo? No entanto, muito em breve se colocou outra questão. Porque não vender ou talvez alugar por um prazo longo algumas das ilhas mais turísticas (e habitadas)? Aí, já se começou a falar de ilhas tão conhecidas como Mykonos e Rhodes. Falou-se até da venda de parte dessas mesmas ilhas. Ninguém explicou muito bem como se faria a divisão: metade da ilha pertencia ao Governo Papandreou e a outra metade ficava na posse de um privado? Onde se traçava a linha imaginária que ia dividir a ilha a meio? Que direitos tem o privado face às casas e aos habitantes que moram na sua parte da ilha? Quem lá se desloca está, automaticamente, a trespassar terreno de outrem? E se o privado não fosse da União Europeia, os gregos que morassem na parte grega da ilha teriam de se munir de passaporte sempre que quisessem ir a esse terreno visitar a família que lá morava? Confuso... Os factos, porém, eram os seguintes: os dirigentes alemães – qui d’autre?... – aconselharam a medida de venda de ilhas ao Governo grego para fazer face ao défice público. Claro que tal conselho surgiu na sequência da ajuda da União Europeia e do empréstimo do FMI à Grécia. Os gregos “ganharam” 110 mil milhões de euros emprestados com juros e, com eles, uns quantos “conselhos” sobre como os pagar rapidamente. O Financial Times e o The Guardian especularam amplamente sobre o quanto podia render uma ilha grega ao Governo grego. Qualquer coisa como 2 a 15 milhões de euros. Nada de se desprezar. Investidores chineses e russos e milionários conhecidos como Abramovich manifestaram imediato interesse na compra dos paradisíacos bocados de terra e tinham planos para magníficos investimentos nos locais. Foi possível entrar em portais da net e “ver” certas ilhas à venda. Como exemplo, Nafsika, uma ilha do mar Jónico, estava em leilão por 15 milhões. Mas nem todas estavam tão bem posicionadas. Algumas ilhas vendiam-se por cerca de 2 milhões, ou seja, menos do que uma casa em certos bairros de Londres. Makis Perdikaris, director de uma empresa chamada Greek Island Properties, afirmou estar duplamente entristecido por “vender terreno do seu país e do povo grego” e ainda por ver que este era “o último recurso” da Grécia. Analistas internacionais acharam o caso “uma vergonha”; outros, com a mesma leveza, declararam que esta acção “prova[va] que a Grécia esta[va] a levar a sério o pagamento da sua dívida externa.” Entretanto, vieram desmentidos a público a par de re-afirmações da notícia e, apesar de eu ter muitos amigos gregos que vivem nos mais diversos locais da Grécia, nunca fui capaz de apurar ao certo se o Governo tinha vendido as ditas parcelas de ilhas ou não. E isto porque os gregos, actualmente, são os últimos a saber o que lhes acontece. Eu mesma já cheguei a informá-los de coisas que vi na televisão e que eles ainda não sabiam. Há uma espécie de sonegar de informação, suponho que – como eles me disseram – “para manter o povo sossegado e evitar uma revolução”. Como todos sabemos, as últimas notícias reportaram que a Alemanha está disposta a perdoar à Grécia metade da dívida desta. Ora, todo o perdão tem pouco de magnanimidade e muito de troca, como bem nos tem ensinado ao longo da História a Santa Madre Igreja. Pessoalmente, estou em crer que o perdão alemão está de olho no enorme exército da Grécia. À conta de muita guerra no curso dos tempos com os seus vizinhos turcos – para além de uma enorme complexidade com os macedónios e os cipriotas – e da sua posição geográfica mais ou menos frágil, a Grécia não abdica de um exército fenomenal. Para além de ter serviço militar obrigatório durante 9 meses (sem qualquer excepção para estudos) para todos os rapazes e serviço militar voluntário para as raparigas, a Grécia ainda hoje é o maior importador de armas da Europa e gasta muito do seu PIB em armamento. Curiosamente, segundo aqueles labirintos políticos do costume, os países europeus que cobram a dívida à Grécia (e.g. França e Alemanha) são os mesmos que lhe vendem armas... Mas claro que é bastante mais simpático receber o dinheiro do armamento, perdoar uma dívida e ainda ficar com o maior exército vivo da Europa a lutar por nós e sob o nosso comando, quando e se a gente quiser... Estou a contar uma pequena parte desta historieta porque agora com as medidas da Troika me ocorreu que Portugal não tem, nem de perto nem de longe, um exército que interesse à Sra Merkel. Que moeda de troca lhe havemos de dar? O Algarve seria uma boa ideia, mas os ingleses já o foram comprando devagarinho e o que resta não dá nem para saldar uma dívida de mercearia. E se fossem as ilhas, como primeiro ocorreu ao cérebro Papandreou? Ah, mas felizmente, nós, ilhas dos Açores, temos uma sorte estupenda. Primeiro, porque turisticamente somos quase desconhecidos. As pobres das ilhas gregas, não lhes bastava terem um clima espectacular como ainda estão no berço da Civilização Ocidental e atreveram-se a fazer do turismo a sua primeira fonte de recursos, tendo quem as visite por razões históricas e quem as visite por razões de sol e mar. Já os Açores, abençoados por Deus com um capacete de brumas quase todo o ano, e historicamente muito pouco relevantes no contexto mundial (vá... convenhamos!), não podem ter tais pretensões. Há mapas-mundo que nem contemplam a representação dos Açores. Temos muitíssima sorte! A Grécia recebe uma média de 18 milhões de turistas por ano e a esmagadora maioria destes vai visitar as ilhas. Os que de entre vós conhecem as ilhas gregas saberão que, se não fossem os turistas, elas não teriam muito mais de onde retirar lucro, para além de ovelhas, azeitonas e laranjas. Dizem-me que os Açores têm cerca de 160 000 turistas por ano - não encontrei estatísticas e acho um número inflacionado, mas ainda bem que não são mais! Ovelhas não temos, mas não esqueçamos que as nossas vacas parecem bastante felizes, segundo foi apreciado pelo próprio Presidente da República. Mas angustia-me o facto de, contrariamente à Grécia, possuirmos tanta boa infra-estrutura a todos os níveis: hotéis, marinas, estradas, restaurantes. Nas ilhas gregas, isto é tudo caseiro e rural. Só para dar um exemplo, em toda a Grécia, só há 50 marinas... Quem quiser amarrar barcos, amarra em bóias e salta para terra (o que nunca impediu ninguém de lá ir anualmente, inclusive eu mesma que por lá andei a navegar). Porque é que estou angustiada com isto? Porque imaginem se, por um infeliz acaso, um dirigente alemão – não esqueçamos que estes povos do Norte acham que Açores é “tropical” – tem a infeliz ideia de saber da nossa existência e sugerir a nossa venda ou aluguer ao Governo português? A minha grande esperança é que, dado que ninguém nos dá qualquer importância, se esqueçam que cá estamos. Caso contrário, imagino já o leilão na internet do Corvo, de Santa Maria, da costa norte de São Miguel... Felizmente, nós não valemos tanto que alguém nos queira comprar; aliás, nós damos muita despesa... Recordo um célebre estudo, defendido publicamente, da Universidade dos Açores que reflecte o assustador gasto que é manter cada ilhota açoriana cheia de povinho. Portanto, graças a Deus, ninguém nos há-de querer. Mas, pelo sim, pelo não, o melhor é não fazermos muito barulho. A não ser que queiramos aparecer no E-Bay com uma etiqueta: “Vende-se ou aluga- -se. Usado mas em estado razoável. Terreno produtivo. Clima húmido, nevoento, chuvoso, deprimente. Povo tranquilo e conservador, habituado a obedecer sem custo. Vacas felizes.”

Carla Cook


Colaboradores:
Capa: "Os meus dias em algumas horas" de Inês Ribeiro
Literatura: Aida Baptista, Catarina Azevedo
Música: Victor Rui Dores, RAS
Diferenças: Mano
Ciência e Ambiente: Nuno Rodrigues



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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

Edição nº67


Crónica
A Imundar por aí fora

Engana-se quem pensar que a digressão do Imundação durou apenas dez dias. Foram longos os meses de trabalho forçado e de exploração infantil; muitas as escoriações e os calos nos dedos mindinhos. Mas por artes mágicas conseguimos sobreviver a estas tormentas e chegou o momento de nos fazermos à estrada, passando em Porto, Leiria e Lisboa. A invicta foi a primeira cidade, o Teatro Bruto os primeiros a nos receber. Acompanharam todo o processo de montagem, adaptação e ensaios, ajudaram na produção, e ainda cozinharam para nós. Fizemos 5 actuações: para a casa do norte dos Açores, para um grupo de estudantes, para amigos, família e totais desconhecidos. A plateia andou cheia (cenas inacreditáveis de pancadaria, tudo à procura dos últimos bilhetes) e as reacções foram positivas tanto dos mais novos como dos mais graúdos. Saímos do Porto contentes com a nossa prestação e fomos em direcção ao Sul, até Leiria, onde a Imundacao foi integrada no festival de teatro - acaso. Por acaso, ou porque a sorte protege os sortudos, o grupo de teatro o nariz, recebeu-nos com um maravilhoso almoço no seu novo espaço de trabalho. É de louvar a persistência deste grupo Capa que entre outros contratempos, foi “convidado” a procurar uma nova casa o ano passado, depois de 15 anos de dedicação/ manutenção/ dinamização do antigo espaço... Como o palco era diferente, exigiu uma nova adaptação, tanto das luzes como de cenário e da própria movimentação em palco. Há que entranhar primeiro e estranhar depois. Em Lisboa o tempo de montagem também foi curto mas, com a simpatia da equipa chapitoniana e a dedicação da nossa sonoplasta e produtor, a coisa correu sobre rodas. Tivemos a tenda do teatro a arrebentar pelas costuras (muitos foram os amigos e familiares subornados) e, talvez por ser a última actuação, tínhamos os nervos à flor da pele. Na verdade, o nó no estômago nunca nos abandonou, desde o Porto até à capital. Para mim, o único senão desta aventura do Teatro de Giz pelo Portugal continental: criar úlceras no estômago e a azia crónica. Fora esses pequenos pormenores, valeu muito a pena imundar toda aquela gente de fantasia, sarcasmo, cor, música e humor negro. Que seja a segunda de muitas digressões continentais!

Lia Goulart


Colaboradores:
Capa: Tomás Melo a partir de Slides de Tereza Arriaga e Jorge Oliveira
Cinema: Cineclube da Horta
Agenda: Laura Marques
Literatura: Aida Baptista, Catarina Azevedo
Música: Victor Rui Dores
Intervenção: Cristina Lourido, Inês Cunha
Ciência e Ambiente: Berta Solé e Nuno Rodrigues



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